Ele me chama de olhos cor de mel...
Fazia tanto tempo que alguém não fazia meu coração disparar com um simples beijo. Logo eu que já me achava tão forte. Acho que no fim descobri que tudo pode acontecer, não importa quanto tempo, a idade, as experiências adquiridas...
Eu me despedi. Ele reclamou de um abraço. Do lado de fora o abracei e ambos ficamos sem graça diante da despedida. A noite terminava e não havíamos sequer começado. Havia desejo, tensão, nervosismo, timidez, vontades secretas, haviam tantas coisas ocultas quando de repente suas mãos vieram na direção do meu rosto enquanto seus lábios se colavam aos meus.
O tempo parou.
Meu coração disparou, acelerando a ponto de me perder em seus batimentos e meus pensamentos acelerados ao mesmo ritmo. O ar faltou. Eu não sabia o que fazer, o que pensar, eu só sabia sentir.
Senti o calor da sua pele na minha, sua respiração ofegantemente contida, seus lábios molhados nos meus e sua mão na minha cintura enquanto a outra me puxava pela nuca como se para encurtar a distância já não existente.
O mundo girava, tudo se movia, menos nós naquela dança secreta, particular, tão íntima como se nos conhecêssemos há tanto tempo.
O coração acelerado sentiu o outro acelerando e quis ficar ali, naquele ninho, aquele aconchego novo e ao mesmo tempo tão seu naquele momento... Mas já era hora de dizer adeus e foi quando ele desacelerou e quis parar de dor ao se distanciar pouco a pouco do grande causador de sua euforia repentina, algo que não era sentido há tanto tempo, há tantos anos que já era desconhecido.
E talvez foi ali naquele momento que eu soube ou só depois descobri que foi naquele momento que começou. Ainda não admiti nem para mim mesma. Talvez um dia ou nunca. Mais eu senti!
